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Testemunhar Padrãos de Sustentabilidade em Mudança para as Florestas do Mundo: Retrospectiva de um Auditor

Grupo de pessoas que dirigem a sua atenção para Robert Hrubes

Autor: Robert Hrubes, Vice-presidente Executivo

«O que estamos a fazer às florestas do mundo não passa de um reflexo do que estamos a fazer a nós próprios e uns aos outros.»

Com estas palavras, Chris Maser, autor de Forest Primeval: The Natural History of an Ancient Forest, resume os argumentos a favor da silvicultura sustentável. As florestas são os pulmões da Terra, o lar de uma diversidade fascinante de flora e fauna, a origem dos medicamentos naturais e a fonte de fogo e de materiais de construção dos quais grande parte da civilização tem dependido. Nas últimas décadas, no entanto, tornou-se cada vez mais claro que as florestas da Terra não podem continuar a ser tratadas simplesmente como recursos para exploração, e que devemos tornar-nos guardiões ativos das florestas para garantir a sua longevidade no futuro.

Como engenheiro florestal há mais de 40 anos e auditor de certificação nas últimas duas décadas, tive a oportunidade de testemunhar e participar, em primeira mão, da crescente mudança de atitudes em relação à forma como gerimos as nossas florestas.

O sol a brilhar através da floresta

 

Os primeiros tempos

Comecei a minha carreira a trabalhar para o Serviço Florestal dos EUA durante as décadas de 1970 e 1980, um período marcado por grandes controvérsias. Os proprietários florestais e os trabalhadores enfrentavam os defensores do ambiente num conflito aparentemente insolúvel e polarizador entre a subsistência e a proteção das florestas.

Naquela altura, o Serviço Florestal estava a passar por muitas mudanças e era alvo de críticas intensas devido ao seu historial ambiental. Sentia uma tensão pessoal quando ia trabalhar todos os dias. Tive de deixar os meus valores e as minhas opiniões pessoais sobre os debates florestais da época à porta, mas, com o passar do tempo, senti-me cada vez mais desconfortável. Por fim, saí e decidi oferecer serviços de consultoria, nomeadamente a organizações ambientais, uma decisão bastante invulgar naquela época para um engenheiro florestal profissional. Trabalhei como especialista em assuntos florestais para muitos clientes de renome. Durante esse período, fui alvo de ataques, incluindo uma tentativa frustrada de revogar a minha licença profissional de engenheiro florestal, mas continuava a ir trabalhar todos os dias com os meus valores pessoais intactos, focando-me nos fatores ambientais da gestão de recursos, e não apenas nos fatores financeiros. Foi nessa altura que comecei a orientar o rendimento sustentado para a sustentabilidade – compreendendo como princípios ambientais e sociais sólidos podem informar e reforçar, em vez de minar, o valor empresarial.

Um dia, em 1991, recebi uma chamada de uma empresa da qual nunca tinha ouvido falar, a Scientific Certifications Systems (agora denominada SCS Global Services), a dizer: «Precisamos da sua ajuda!» A SCS estava a desenvolver um novo programa de certificação florestal responsável e precisava da minha experiência. Aquela chamada mudou a minha vida e a minha carreira! Durante nove anos, trabalhei na conceção do que hoje se chama Programa de Conservação Florestal da SCS e desempenhei as funções de auditor principal do programa. Por fim, cedi ao inevitável e juntei-me à SCS como vice-presidente sénior e chefe da sua Divisão de Recursos Naturais, mantendo ao mesmo tempo um envolvimento ativo nas auditorias no terreno.

Logótipo do Forest Stewardship Council

É criado o FSC

Quando comecei a trabalhar na SCS, ainda não existia o Forest Stewardship Council (FSC) nem qualquer outro programa de certificação florestal responsável. O Programa de Conservação Florestal da SCS estava a abrir novos caminhos. Ao mesmo tempo, um vasto leque de partes interessadas estava a reunir-se para tentar formular este conceito de certificação independente da gestão florestal, tendo no seu cerne normas de gestão ambiental de «ponta». A SCS tornou-se um interveniente fundamental na criação do FSC. Representei a SCS como especialista em reuniões de planeamento, o que resultou na criação do FSC dois anos mais tarde. Em 1993, fui eleito para o Conselho de Administração Fundador do FSC. Passei cinco anos no Conselho Fundador do FSC a pôr em marcha o que é hoje esta incrível história de sucesso global. Tenho um orgulho particular do grau em que as partes interessadas ambientais, sociais e da indústria se uniram para superar as suas diferenças, identificando princípios comuns de gestão ambiental e responsabilidade socioeconómica para construir um caminho viável para o futuro.

O sucesso da certificação

A premissa subjacente a sistemas de certificação voluntária como o FSC é a mensagem dirigida aos proprietários e gestores florestais de que, se procurarem voluntariamente a certificação e fizerem as alterações necessárias às suas práticas para demonstrar que cumprem as normas, obterão benefícios comerciais diretos. Essa é a motivação, e é por isso que os sistemas de certificação se têm multiplicado em todo o mundo.

Uma vantagem para os clientes é a garantia de que, ao fazerem negócios consigo e ao comprarem-lhe produtos de madeira, não estão a envolver-se num desastre de relações públicas à espera de acontecer. É difícil atribuir um valor monetário a isso. Outro benefício é o acesso ao mercado. Por exemplo, os produtores estrangeiros de produtos de madeira que pretendem vender nos mercados dos EUA e da Europa dependem fortemente do valor das suas certificações de terceiros. A certificação também ajuda a tranquilizar os clientes, as comunidades florestais e vizinhos, bem como os reguladores governamentais, de que as operações são ambiental e socialmente responsáveis, e reduz os processos judiciais e as multas – proporcionando um valor monetário muito real que pode reduzir os custos das operações certificadas.

«Estas auditorias continuam a ser muito importantes para mim, pois estão diretamente relacionadas com o reconhecimento e a recompensa da gestão responsável e sustentável dos recursos florestais.»

A SCS tornou-se um dos três organismos de certificação originais acreditados pelo FSC. Desde então, tenho liderado, com o apoio dedicado de uma equipa dinâmica de profissionais especializados, a expansão das atividades de certificação de gestão florestal e cadeia de custódia do FSC da empresa, bem como a criação e o crescimento do programa de verificação de compensações de carbono florestal da empresa, agora afiliado a esquemas líderes como a Climate Action Reserve (CAR), o Verified Carbon Standard (VCS), o Climate Community and Biodiversity Standard (CCB), o Gold Standard e os programas de verificação Cap and Trade da ARB da Califórnia, trabalhando em REDD, Gestão Florestal Melhorada e outros projetos AFOLU. E ao longo desses anos de desenvolvimento de negócios, fiz questão de manter o meu envolvimento como profissional, conduzindo e revendo auditorias. Estas auditorias continuam a ser muito importantes para mim, porque estão diretamente relacionadas com o reconhecimento e a recompensa da gestão responsável e sustentável dos recursos florestais. Este trabalho levou-me a viajar pelo mundo, expondo-me a operações florestais amplamente diversificadas e inovadoras em locais tão distantes como a Austrália, Papua-Nova Guiné, Indonésia, Malásia, Japão, Escandinávia, Alemanha, Canadá, México, o continente africano, a América do Sul e, claro, os Estados Unidos.

A vida como auditor

Como auditor, aprende-se rapidamente a evitar despachar bagagem quando se viaja de avião, porque a vida pode tornar-se um verdadeiro pesadelo se ficar separado da sua mala. Aprende-se também a levar consigo uma boa capa de chuva, blocos de notas resistentes à chuva, fitas métricas e compassos. É preciso estar disposto a trabalhar muitas horas, com espírito de aventura. É também necessário sentir-se à vontade no centro das atenções, mantendo ao mesmo tempo a concentração e a independência.

Imagem de uma paisagem com montanhas e florestas

 

Recentemente, tive a oportunidade de passar dois dias a sobrevoar toda a Serra Nevada de helicóptero, enquanto trabalhava num projeto de carbono. Não parava de pensar: «Uau! Estou a ser pago para fazer esta incrível viagem de ecoturismo pela qual a maioria das pessoas paga uma fortuna.» Assim, as viagens e a possibilidade de conhecer pessoas incrivelmente diversas, como gestores florestais, ecologistas, hidrólogos e sociólogos, para não falar dos povos indígenas e das partes interessadas profundamente empenhadas, permitiram-me desenvolver uma rede incrível de colegas e amigos em todo o mundo. O melhor é que todas estas pessoas estão envolvidas ou preocupadas com a gestão florestal e, através do seu envolvimento, estão a promover mudanças positivas.

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